terça-feira, 26 de março de 2013

O poder da união de forças

"The shift we seek begins when we declare that the properties and capacities that make up a competent community exist in human nature. These properties and capacities are in everybody, to greater or lesser degrees. This gives us another way to think about the power of our community: It holds the power to utilize the diversity that already exists within. I have courage and you have vision; therefore, we need each other. Because all my courage, without your vision, won’t create anything. Without my courage, your vision is useless..."
Peter Block

"A mudança que buscamos começa quando reconhecemos que as qualidades e capacidades que compõem uma comunidade competente existem  na natureza humana. Estas qualidades e capacidades estão em todos, em maior ou menor grau. Isto nos proporciona uma outra maneira de pensar sobre o poder da nossa comunidade: Ela detém o poder de utilizar a diversidade que já existe dentro de cada um de nós. Eu tenho a coragem e a visão que você tem, por isso, precisamos uns dos outros. Porque toda a minha coragem, sem a sua visão, não irá criar qualquer coisa. Sem a minha coragem, a sua visão é inútil..." Peter Block.

A verdadeira consultoria envolve a união de forças diversas contidas em cada um de nós de forma especial e complementar.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Reflexões sobre Empregabilidade no contexto histórico e no atual


Reflexões sobre Empregabilidade no contexto histórico e no atual

O fato de o emprego formal ter dominado o cenário mundial, principalmente no mundo ocidental, desde a revolução industrial, fez com que padrões condicionados, previsíveis e até mesmo "desejáveis" de comportamento fossem adquiridos pela maioria das organizações profissionais e por seus colaboradores:
  • Padronização da organização do trabalho; especialização; forte ênfase na hierarquia; cargos e funções; especialização técnica; controle de resultados centrado na análise quantitativa; fragmentação do pensamento; compartimentalização de ideias, pessoas e estruturas; linearidade, etc.
Porém já no final do século XX este cenário apresentou drásticas transformações, nunca antes vistas, que estão afetando profundamente os mais variados aspectos do cotidiano, com relevantes alterações na relação emprego e trabalho.

Não é preciso descrever quais são estas transformações, pois o bombardeio de notícias nos mantem constantemente atualizados sobre elas. Mas vale a pena ressaltar as constatações deste estudo, realizado por Maria Célia Lassance e Mônica Sparta, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

...“ De acordo com De Masi (1999a), a sociedade industrial foi uma fase breve na história da humanidade, que teve início no final do século XVIII e chegou ao fim na metade do século XX. A segunda metade deste século foi um momento de transição entre a sociedade industrial e uma nova ordem sócio-econômica da sociedade capitalista, que vem despontando na atualidade, no início do século XXI. De Masi (1999a, 1999b) denomina esta nova ordem de sociedade pós-industrial, enquanto Harvey (1989/1996) a chama de acumulação flexível.

Para De Masi (1999b), o embrião da sociedade pós-industrial surgiu na Europa, ainda na primeira metade do século XX, durante o ápice da produção industrial norte-americana baseada nos princípios da organização do trabalho do modelo taylorista-fordista. Na Europa, inovações nos campos das artes e das ciências trouxeram a revalorização da criatividade e da emoção. Inovações na literatura e na música surgiram com Joyce e Stravinsky; nas artes plásticas, Picasso revolucionou com o Cubismo; Freud com a criação da Psicanálise propôs uma nova forma de compreensão do homem; Einstein com a Teoria da Relatividade inaugurou a física moderna. Novas idéias sobre a organização e as relações de trabalho, baseadas na criatividade e na busca de qualidade de vida, começaram a despontar neste ambiente.

Durante a segunda metade do século XX, com a decadência da sociedade industrial e a revalorização da criatividade, a Orientação Profissional tomou novos rumos. Em primeiro lugar, a influência da Terapia Centrada no Cliente de Carl Rogers, que pregava a não-diretividade dos processos psicoterápicos e do aconselhamento psicológico, influenciou sobremaneira a visão sobre os papéis dos sujeitos da Orientação Profissional, pelo deslocamento do lugar do saber e da decisão do orientador para o orientando. Em segundo lugar, o surgimento da idéia de que a escolha profissional é um processo integrado ao desenvolvimento vital do sujeito, através das Teorias Evolutivas, cujo representante mais importante foi Donald Super (Brown & Brooks, 1996; Super & Bohn Jr., 1970/1976). O foco da Orientação Profissional transferiu-se da produção resultante para o sujeito de escolha, sendo a eficiência e a produtividade tomadas como consequências naturais de uma escolha adequada, centrada na satisfação e nos sentimentos de realização do indivíduo.

Além da revalorização da criatividade e da emoção, o crescimento da classe média, não previsto por Marx e Engels, e o desenvolvimento tecnológico, principalmente da microeletrônica e da informática, foram fundamentais para a transição da sociedade industrial para a pós-industrial (De Masi, 1999a, 1999b). O capitalismo pós-industrial contemporâneo apresenta novas características, que são apontadas por diversos autores (De Masi, 1999a, 1999b; Harvey, 1989/ 1996; Jenschke, 2001; Lassance, 1997; Lisboa, 2000, 2002; Pochmann, 2001; Sarriera, 1998; Silva & Magalhães, 1996). A sociedade capitalista atual é pautada pelo aumento do setor terciário ou de serviços; pela globalização da economia; pelo modelo enxuto de empresa; pelo uso de tecnologias de ponta, como eletrônica, telecomunicações, informática, biotecnologia; pela alta produção de bens não-materiais, como serviços, informação, educação, estética. Em consequência destas mudanças, postos de trabalho na indústria vêm diminuindo e o decréscimo do emprego estrutural vem gerando desemprego e dando lugar ao trabalho autônomo e à economia informal; ocupações antigas vêm desaparecendo e novas vêm surgindo a cada dia. Estas mudanças no mundo do trabalho geram instabilidade e exigem do trabalhador uma série de novas habilidades para a empregabilidade, como flexibilidade, polivalência, capacitação tecnológica, adaptabilidade. A organização, a estabilidade, a certeza, a previsibilidade, ícones da sociedade industrial, foram substituídas pela flexibilidade da produção e das relações de trabalho, que passaram a ser guiados pelas flutuações do mercado de consumo.

Esta nova ordem econômica mundial trouxe consigo uma onda de individualismo, que vêm enfraquecendo as organizações sindicais na luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores e vêm provocando um retrocesso em termos dos direitos sociais anteriormente conquistados. Espera-se cada vez mais do trabalhador e se oferece a ele cada vez menos. Ao mesmo tempo em que a sociedade pós-industrial seduz com seu discurso de que o trabalho deve estar vinculado à busca por qualidade de vida, mantém um contingente cada vez maior de indivíduos à margem do processo produtivo...   O Brasil vem sofrendo consequências específicas desta nova ordem econômica mundial. De acordo com Pochmann (2001), nas décadas de 1980 e 1990 houve um grande aumento do desemprego no setor industrial, enquanto o setor de serviços evoluiu notavelmente. No entanto, o incremento do setor terciário não foi suficiente para arrefecer o fenômeno do desemprego estrutural que vem assolando o país. Paralelamente, alguns autores têm analisado as características do jovem brasileiro que vai aos serviços de Orientação Profissional em busca de auxílio para a escolha de uma profissão. Este jovem é conservador, individualista, não se preocupa com mudanças sociais, deseja realização pessoal, prazer no trabalho, estabilidade profissional e conforto material (Lisboa, 1997; Silva & Magalhães, 1996). Este jovem busca a escolha de um curso superior que lhe garanta acesso ao mercado de trabalho através da conquista de um emprego estável e bem remunerado, no qual permaneça por toda a vida (Lassance, 1997). Este jovem busca uma permanência e rigidez que já não existem na nova sociedade pós-industrial.


A partir deste panorama, vale aqui uma reflexão sobre o atual contexto dos profissionais brasileiros:

·         Quantos conhecidos nossos, nos dias de hoje e na faixa dos 40 anos, estão trabalhando na mesma empresa em que iniciaram suas carreiras?
·         Quantos se sentem estáveis profissionalmente? 
·         Com relação aos que "triunfaram" na conquista da estabilidade de trabalho, quantos estão satisfeitos e realizados nos trabalhos que realizam?
·         E sobre os jovens profissionais? O que devem fazer com relação ao seu futuro profissional?
·         Quais são os verdadeiros valores e propósitos de vida dos profissionais experientes e os dos iniciantes?
·         Quais são os possíveis cenários de mercado de trabalho para todas as classes de profissionais no Brasil?

“Procurar trabalho ao invés de emprego, clientes no lugar de empregadores e ancorar sua carreira na concretização dos seus valores e propósitos mais profundos. Este é um caminho possível para aqueles que constroem valor por meio da consultoria, emprestando suas experiências, competências e habilidades às organizações e a seus líderes.” Rogério Cher.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A história da Consultoria

Segundo relatos históricos a consultoria como hoje conhecida passou a existir por volta do final do século IX, nos EUA e na Europa Ocidental, devido a importantes avanços na sistematização do trabalho e no desenvolvimento científico, econômico e político da época.
Porém, a atividade de consultoria existe no mundo informal há muitos séculos, e podemos dizer que ela era representada pela figura dos conselheiros que eram consultados sobre os mais diversos assuntos (e as vezes pagos) para demonstrar seu ponto de vista sobre os mesmos (profetas, sacerdotes, líderes religiosos em geral,  xamãs, etc.).

Já o final do século XX, como diz Concistré em seu livro: “Consultoria uma opção de vida e  carreira”, foi palco de uma espetacular transformação no cenário mundial, que afetou todos os aspectos da vida humana e nesse quadro geral, o mundo do emprego e do trabalho ... Hoje estamos presenciando tais mudanças no dia-a-dia de nossas atividades profissionais.

Mas as ocorrências atuais que estão afetando a relação entre trabalho x emprego, tiveram suas origens mais marcantes no início dos anos de 1900 quando “surgiu uma nova ordem econômica e política influenciada por alguns pensadores de destaque como: Friedrich von Hayek, da Escola Austríaca, Adam Smith (que emergiu da década de 1890) e foram a base do Neoliberalismo.( a doutrina econômica que defende a absoluta liberdade de mercado absoluta liberdade de mercado e sem a intervenção estatal sobre a economia, só devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo), e também a base para a Globalização (Consenso de Washington, 1989). 

Outras influências marcantes na relação trabalho x emprego e na atividade de consultoria podem ser creditadas à recente crise financeira mundial, cujo gatilho ocorreu em 2008 (bolha imobiliária nos EUA).

Retornando à história, a consultoria em gestão empresarial começou a crescer com a ascensão das atividades de gestão em si, como um campo de estudo especifico: management. A  primeira empresa de consultoria em  gestão empresarial  foi a Arthur D. Little, fundada no final dos anos de 1890 pelo professor do MIT , de mesmo nome. Embora a empresa Arthur D. Little  tornou-se  mais tarde uma empresa de consultoria geral em gestão, originalmente ela era especializada em pesquisa técnica.  A seguir, em 1914, temos a empresa Booz Allen Hamilton, que  foi fundada por Edwin G. Booz (graduado pela Kellogg School of Management da  universidade Northwestern),  como uma empresa de consultoria em gestão e que foi a primeira a atender  tanto a indústria quanto o governo, oferecendo seus serviços de consultoria. Fontes indicam que a primeira empresa de consultoria em gestão e estratégia foi a McKinsey & Company, fundada em 1926, em Chicago, por James O. McKinsey, mas a McKinsey moderna foi moldada por Marvin Bower, que acreditava que empresas de consultoria em gestão deveriam seguir os mesmos altos padrões profissionais dos advogados e médicos da época. A McKinsey é considerada  como sendo a primeira a contratar os recém-formados  das escolas de MBA´s mais conceituadas para executarem seus projetos ao invés da  contratação de pessoal  mais especializado e antigo da indústria.  Um dos parceiros iniciais da McKinsey original,  Andrew T. Kearney, rompeu com a mesma e iniciou a empresa  AT Kearney em 1937.

Após a Segunda Guerra Mundial, uma série de novas  empresas de consultoria  surgiram. Temos a Proudfoot Consulting, fundada em 1946 por Alexander Proudfoot, que implementou melhorias operacionais sustentáveis dentro das empresas de seus clientes  e a Boston Consulting Group (BCG), que foi fundada em 1963, e trouxe uma abordagem analítica rigorosa para o estudo da gestão e da estratégia.

O trabalho realizado pelas consultorias Booz Allen, McKinsey, BCG, e  pela Escola de Negócios de Harvard, durante os anos 1960 e 70,  desenvolveram muitas ferramentas e abordagens que definiram o novo campo da “gestão estratégica” e  estabeleceram as bases para muitas outras empresas de consultoria que as seguiram.

Outra empresa importante e de fama recente é a  Bain & Company, cujo foco inovador nos interesses dos acionistas (incluindo a gerência para um bem sucedido patrimônio privado) os diferencia de suas “irmãs” mais velhas.

Também  devemos informar a importância do desenvolvimento de ferramentas de consultoria específica para empresas de contabilidade (como a extinta Arthur Andersen) e empresas globais de serviços de TI (como IBM). Embora não sejam  tão focadas em estratégia ou na gestão administrativa, estas empresas de consultoria receberam investimentos altos e são muito ativas e presentes dentro das empresas-clientes. Além disso, surgiram diversas empresas  de consultoria que atuam em nicho específicos, com relativo sucesso, oferecendo uma trabalho mais focado em determinados setores das empresas-clientes e assim vistas como agregadoras de valor.

O serviço de consultoria tem crescido rapidamente, com taxas de crescimento superior a 20% ao ano. Como negócio, a consultoria permanece altamente cíclica e ligada a condições econômicas gerais.  Esta atividade deu uma relativa “encolhida”  durante o período entre 2001-2003, mas foi aumentando lentamente desde então. Em 2004, as receitas subiram 3% em relação ao ano anterior, gerando um mercado de quase US $ 125 bilhões.  Atualmente o mercado de consultoria mundial tem gerado receitas em torno de US$ 300 bilhões. (fonte: http://www.firstresearch.com/Industry-Research/Consulting-Services.html)

Existem três  tipos principais de empresas de consultoria. Primeiro, há grandes organizações diversificadas, tais como Accenture,  Bain, Booz Allen, Deloitte Consulting,  e IBM Global Services (todas sediadas nos EUA), e também a PA Consulting Group (Reino Unido),a  Roland Berger (na Alemanha), e a  Tata Strategic Management (na India). Todas estas do primeiro grupo oferecem uma gama de serviços, incluindo consultoria em tecnologia da informação, além de possuírem alta qualificação em consultoria de gestão. Em segundo lugar estão as grandes especialistas em  consultoria estratégica  e de gestão, que são mais generalistas, e não são especializadas em algum setor específico, como a  McKinsey & Company. Por fim, há empresas de consultoria tipo “boutique”, que  muitas vezes são bem pequenas e se concentraram em áreas de específicas das indústrias ou em determinadas tecnologias.

Fora estes três grupos existem também os consultores independentes, autônomos e os chamados Gurus.

Só nos EUA os serviços de Consultoria são fornecidos por mais de 130 mil empresas e indivíduos que combinados faturam em torno de 170 bilhões de dólares ao ano. Os atuais fatores-chave para este nível de faturamento são a grandes mudanças regulatórias do governo e as novas tecnologias emergentes.
Atualmente, as principais demandas para os serviços de Consultoria vêm das necessidades de apoio em gestão, processos e tecnologia nas indústrias, comércio, organizações sem fins lucrativos e também nos governos. A lucratividade para os consultores individuais e pequenas empresas de consultoria depende muito da sua eficiência e habilidade de manter certo fluxo de sucesso nos negócios de seus clientes.

Fato: o novo cenário mundial está revolucionando a relação trabalho x emprego e a profissão de Consultor está retomando sua importância para as organizações de negócios em geral.