Segundo relatos
históricos a consultoria como hoje conhecida passou a existir por volta do final
do século IX, nos EUA e na Europa Ocidental, devido a importantes avanços na
sistematização do trabalho e no desenvolvimento científico, econômico e
político da época.
Porém, a atividade de consultoria
existe no mundo informal há muitos séculos, e podemos dizer que ela era representada
pela figura dos conselheiros que eram consultados sobre os mais diversos
assuntos (e as vezes pagos) para demonstrar seu ponto de vista sobre os mesmos
(profetas, sacerdotes, líderes religiosos em geral, xamãs, etc.).
Já o final do século XX,
como diz Concistré em seu livro: “Consultoria uma opção de vida e carreira”, foi palco de uma espetacular transformação no cenário mundial, que
afetou todos os aspectos da vida humana e nesse quadro geral, o mundo do
emprego e do trabalho ... Hoje estamos presenciando tais mudanças no
dia-a-dia de nossas atividades profissionais.
Mas as ocorrências
atuais que estão afetando a relação entre trabalho x emprego, tiveram suas
origens mais marcantes no início dos anos de 1900 quando “surgiu uma nova ordem econômica e política influenciada por alguns
pensadores de destaque como: Friedrich von Hayek, da Escola Austríaca, Adam
Smith (que emergiu da década de 1890) e foram a base do Neoliberalismo.( a doutrina econômica que defende a absoluta liberdade
de mercado absoluta liberdade
de mercado e sem a intervenção estatal sobre a economia, só
devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo),
e também a base para a Globalização (Consenso de Washington, 1989).
Outras
influências marcantes na relação trabalho x emprego e na atividade de
consultoria podem ser creditadas à recente crise financeira mundial, cujo gatilho
ocorreu em 2008 (bolha imobiliária nos EUA).
Retornando à história, a
consultoria em gestão empresarial começou a crescer com a ascensão das
atividades de gestão em si, como um campo de estudo especifico: management. A primeira empresa de consultoria em gestão empresarial foi a Arthur D. Little, fundada no final dos
anos de 1890 pelo professor do MIT , de mesmo nome. Embora a empresa Arthur D.
Little tornou-se mais tarde uma empresa de consultoria geral em
gestão, originalmente ela era especializada em pesquisa técnica. A seguir, em 1914, temos a empresa Booz Allen
Hamilton, que foi fundada por Edwin G.
Booz (graduado pela Kellogg School of Management da universidade Northwestern), como uma empresa de consultoria em gestão e que
foi a primeira a atender tanto a
indústria quanto o governo, oferecendo seus serviços de consultoria. Fontes
indicam que a primeira empresa de consultoria em gestão e estratégia foi a
McKinsey & Company, fundada em 1926, em Chicago, por James O. McKinsey, mas
a McKinsey moderna foi moldada por Marvin Bower, que acreditava que empresas de
consultoria em gestão deveriam seguir os mesmos altos padrões profissionais dos
advogados e médicos da época. A McKinsey é considerada como sendo a primeira a contratar os recém-formados
das escolas de MBA´s mais conceituadas
para executarem seus projetos ao invés da contratação de pessoal mais especializado e antigo da indústria. Um dos parceiros iniciais da McKinsey
original, Andrew T. Kearney, rompeu com
a mesma e iniciou a empresa AT Kearney
em 1937.
Após a Segunda Guerra
Mundial, uma série de novas empresas de
consultoria surgiram. Temos a Proudfoot
Consulting, fundada em 1946 por Alexander Proudfoot, que implementou melhorias
operacionais sustentáveis dentro das empresas de seus clientes e a Boston Consulting Group (BCG), que foi
fundada em 1963, e trouxe uma abordagem analítica rigorosa para o estudo da
gestão e da estratégia.
O trabalho realizado
pelas consultorias Booz Allen, McKinsey, BCG, e pela Escola de Negócios de Harvard, durante os
anos 1960 e 70, desenvolveram muitas
ferramentas e abordagens que definiram o novo campo da “gestão estratégica” e estabeleceram as bases para muitas outras empresas
de consultoria que as seguiram.
Outra empresa importante
e de fama recente é a Bain &
Company, cujo foco inovador nos interesses dos acionistas (incluindo a
gerência para um bem sucedido patrimônio privado) os diferencia de suas “irmãs”
mais velhas.
Também devemos informar a importância do desenvolvimento
de ferramentas de consultoria específica para empresas de contabilidade (como a
extinta Arthur Andersen) e empresas globais de serviços de TI (como IBM).
Embora não sejam tão focadas em
estratégia ou na gestão administrativa, estas empresas de consultoria receberam
investimentos altos e são muito ativas e presentes dentro das
empresas-clientes. Além disso, surgiram diversas empresas de consultoria que atuam em nicho específicos,
com relativo sucesso, oferecendo uma trabalho mais focado em determinados
setores das empresas-clientes e assim vistas como agregadoras de valor.
O serviço de consultoria
tem crescido rapidamente, com taxas de crescimento superior a 20% ao ano. Como negócio,
a consultoria permanece altamente cíclica e ligada a condições econômicas
gerais. Esta atividade deu uma relativa “encolhida”
durante o período entre 2001-2003, mas
foi aumentando lentamente desde então. Em 2004, as receitas subiram 3% em
relação ao ano anterior, gerando um mercado de quase US $ 125 bilhões. Atualmente o mercado de consultoria mundial
tem gerado receitas em torno de US$ 300 bilhões. (fonte:
http://www.firstresearch.com/Industry-Research/Consulting-Services.html)
Existem três tipos principais de empresas de consultoria.
Primeiro, há grandes organizações diversificadas, tais como Accenture, Bain, Booz Allen, Deloitte Consulting, e IBM Global Services (todas sediadas nos
EUA), e também a PA Consulting Group (Reino Unido),a Roland Berger (na Alemanha), e a Tata Strategic Management (na India). Todas
estas do primeiro grupo oferecem uma gama de serviços, incluindo consultoria em
tecnologia da informação, além de possuírem alta qualificação em consultoria de
gestão. Em segundo lugar estão as grandes especialistas em consultoria estratégica e de gestão, que são mais generalistas, e não
são especializadas em algum setor específico, como a McKinsey & Company. Por fim, há empresas de
consultoria tipo “boutique”, que muitas
vezes são bem pequenas e se concentraram em áreas de específicas das indústrias
ou em determinadas tecnologias.
Fora estes três grupos
existem também os consultores independentes, autônomos e os chamados Gurus.
Só nos EUA os serviços
de Consultoria são fornecidos por mais de 130 mil empresas e indivíduos que
combinados faturam em torno de 170 bilhões de dólares ao ano. Os atuais
fatores-chave para este nível de faturamento são a grandes mudanças
regulatórias do governo e as novas tecnologias emergentes.
Atualmente, as
principais demandas para os serviços de Consultoria vêm das necessidades de
apoio em gestão, processos e tecnologia nas indústrias, comércio, organizações
sem fins lucrativos e também nos governos. A lucratividade para os consultores
individuais e pequenas empresas de consultoria depende muito da sua eficiência
e habilidade de manter certo fluxo de sucesso nos negócios de seus clientes.
Fato: o novo cenário mundial
está revolucionando a relação trabalho x emprego e a profissão de Consultor está
retomando sua importância para as organizações de negócios em geral.
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