Governança corporativa refere-se ao sistema de relacionamento entre acionistas, executivos de uma empresa e auditores independentes, liderados pelo Conselho de Administração (LODI, 2000).
Um dos principais objetivos da governança corporativa é proteger o valor da empresa com políticas de controle e políticas de liberação da informação.
A Governança Corporativa é regida por uma série de bons princípios, especialmente aqueles relativos à: transparência; equidade; prestação de contas; cumprimento das leis e, sobretudo e ética na condução dos negócios empresariais.
"A governança é uma oportunidade de geração de valor não apenas do ponto de vista do capital, mas de bens intangíveis, como a imagem da empresa", diz Sandra Guerra, presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que promove, em São Paulo, hoje e amanhã, o 14º Congresso Internacional de Governança Corporativa para discutir a atuação dos presidentes de conselhos de administração frente às novas fronteiras de integridade nos negócios.
"A governança corporativa no Brasil ainda reflete um mercado pouco desenvolvido", afirma Wesley Mendes, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV/Eaesp). "Há um empobrecimento da governança. Empresas estatais carecem de boas práticas, companhias de controle compartilhado estão muito sujeitas a decisões políticas e organizações familiares têm problemas na relação da família com a empresa", diz Alexandre Di Micelli, coordenador do MBA de governança corporativa da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).
Um bom conselho de administração é uma das vigas mestras da governança corporativa de uma empresa.
“Nenhuma empresa é melhor do que o seu conselho de administração”, resume Leonardo Viegas, conselheiro de administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Embora a cultura de governança das empresas brasileiras tenha evoluído muito desde o tempo em que os conselhos eram praticamente uma mera formalidade, Viegas diz que ainda há muito a avançar. “É triste ver que muitas companhias ainda possuem conselhos mal formados e pouco representativos”. Viegas lembra que é comum ver executivos acumulando a presidência da empresa e do conselho, provocando conflitos de interesse. “Essa separação é uma exigência para quem está listado no Novo Mercado, mas não é obrigatória por lei”, diz.
No entanto, a boa notícia é que o movimento de profissionalização é cada vez mais forte e não se limita a companhias de capital aberto. “Temos notado um esforço significativo de criação e formalização de conselhos em muitas empresas familiares e também de capital fechado”, afirma Renato Chaves, diretor da consultoria Corporate Governance. O fenômeno, diz Chaves, é muito bem-vindo. “É difícil medir, mas empresas com conselhos atuantes tendem a obter melhores resultados no longo prazo, pois eles melhoram a qualidade da gestão”. Um dos motivos é o papel de cobrança em relação à atuação dos executivos. O outro seria a interferência direta na definição de estratégias. “Quando você decide sozinho, o risco de errar é maior. Se conta com um grupo experiente e ativo, o risco é mitigado.”
As empresas com forte governança corporativa possuem melhor performance operacional do que empresas que não possuem governança corporativa ou que não a valorizam. Uma boa estrutura de governança corporativa não só fornece informações úteis para os investidores , como também auxilia a empresa a melhorar suas operações. Os melhores indicadores de governança corporativa incluem a estrutura do corpo diretivo, a estrutura de acionistas e a transparência de informações.
(fonte Jornal Valor Econômico - 14 de outubro de 2013).
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